domingo, fevereiro 20, 2005

Duas e tal da manhã. Algum descanso, mood de bocejo.. Ora já que não se faz nada, vamos lá olhar pra trás, hoje sem lirismos-complicações.

Tudo é uma prisão, quando se nasce, ou renasce, prisioneiro.
E se se fica farto, está-se farto.
Estas linhas são uma prisão. Porque não espelham, nada espelha, só reflecte para cima de mim o que nem sequer existe.

Pá, tens que ser tu mesmo. É só partir umas grades.
Yap.

Epa não é pêra doce mesmo. As pessoas são muito comportamentais.

Se às vezes posso dizer isto ou fazer aquilo, sei que para muitos isso quer logo dizer qualquer coisa, ou pelo menos, assim que qualquer sinal de insegurança esteja presente.

E há pessoas apressadas, em inquirir tudo, e descortinar tudo. E apressadas em formar conclusões irrevogáveis.

Estar à vontade é poder não ser aquilo que está formado na cabeça dos outros que eu sou. Poder cagar, poder estar calado quando e quanto me apetece, e dizer as coisas sem que estejam a ser encaixadas numa fórmula que diz quem é que eu sou em função disso. E é isso que me custa um pouco.

Não é uma questão de timing, de dizer coisas, nem de estar calado. É uma questão de tal não ter significado à partida. E é também uma questão de não ver toda a gente com pressa, a verem se tal confere ou não com aquilo que é de esperar do mundo, se encaixa nos protocolos certos, se lhes agrada o suficiente. Isto baseado em frases ou acções, coisas tão distantes da "verdade", do eu da mente pá..

Como é que possível fds, ter-se uma ideia tão simples da humanidade? Já viram a grossura dos livros de psicologia? Será por acaso? Para escoar as sobras da fábrica de papel? Dass nº 2.

Parecem dilemas de tótó, não parecem? Mas se calhar não são assim tão importantes para mim. E estão a sair tão a seco, porque sei 1001 coisas que podem estar a pensar. Todas elas erradas, ou então nem todas, fds. Estar-me-ei aqui a defender de algo? Se calhar estou. Tb não sei ao certo.

Mas pá, sei que estou farto de cortar caminhos no subconsciente.. por causa dessas coisas.. sei que tenho só é que dizer e pronto. Pá, mas sei que vou continuar a cortar caminhos várias vezes. Fds, eu não descobri nada disto agora.. É é tudo muito relativo.. demasiado para ter uma solução simples.

Certo é que, importante ou não, custa um pouco a dizer. Custa, acho que mais pela quantidade de tudo que já pensei em associação com isto, pela quantidade de cenas que já tirei disto tudo, conclusões e quê.. É isso que eu sinto negligenciado, quando ao dizer as coisas elas parecem não condizer comigo por saber que dá para estarem a pensar cenas sobre o que eu estou a pensar, sobre a minha identidade. Estarem a pensar coisas, conscientemente ou não.. e sentir-me reduzido por causa disso. Sentir que passei mais uma vez a imagem errada. Perder o à vontade à pala disso porque de repente há dois (ou mais) eus.. o verdadeiro e o(s) falso(s). E sentir-me por causa disso sem valor, mesmo quando sei que ficou mt por dizer, ou por passar, ou por fazer entender. É também como se essas coisas que eu não disse, as constatasse inúteis..

Por outro lado, eu sei qual é a verdade. E é aí que me tenho de agarrar. Posso não sabê-la expressamente sempre, e não preciso de o fazer. Não posso martirizar-me com "epa agora com este equívoco, com este ter-me expressado mal, não fiz passar a verdade certa, e não a consigo ter presente para dizer a coisa que mais se lhe parece". Nop, eu sei qual ela é, não preciso nem devo fazer esforços por ela..

Sei que já estou a adensar, e isso poderia ser sinal de estar a envolver-me demasiado nesta artificialidade de tar a escrever. Mas as cenas simples para mim soa-me sempre um bocado estúpido, não tanto a minha voz, mas a minha voz nos outros. Por causa do que já disse, por soarem sempre a erradas. Erradas face àquilo que eu realmente penso, e que eu realmente era (estou a ser) quando escrevi isto. E que eu realmente sou. Os mal entendidos, sempre os mal entendidos.

Eu já falo destas merdas e de mim nos meus posts desde sempre, se repararem bem.

Sei que para me soltar, preciso de não estar rodeado dessas pequenas merdas fragilizantes, leituras inválidas, tarem a tirar de mim coisas óbvias e redutoras. (E a maior parte das vezes não estão. É tudo complexo.)

Quando às vezes faço uma coisa parva qualquer, nem me importo de ser parvo. Desde que o esteja a ser. É muito simples e com isso posso eu bem. Tenho consciência das cenas.

Só os complexos é que me fodem. Só isso.

Tou a escrever com cansaço já, este tema puxa um bocado por mim.

Fiquem bem, inté [] *
distensões.txt
06-02-2005, 6.04 matina

partir

ir onde não fui? não.
saber esperar? em parte,
mas não no sentido de espera.

perder a noção de erro?
pois, saber o erro sem insistir em ter noção,
em ter noções.

alçapões.

o escuro não importa, mas o tactear comporta uma hesitação
da palma da mão
que se expande, que se agita, treme, treme,
qual parkinson subindo pelas partículas todas, pegando-se umas às outras
falta de preservativos no minúsculo do ser

conclusão, é o nascer de embaraços embaraçosos, pois nem o foram
antes de supostos,
é o enfrentar aquilo que não era para ter sido, o aborto espontâneo
a falta de crâneo
em redor da mente

no abstracto

ou não. são posturas, que passam, que corroem, e as horas que destroem
são mais que as horas-placentas
que remendam o casco
do eventual explorador vasco
que exista por explorar
mas não se trata de filosofar
isso é óbvio dentro do paradigma,
dificil é dissecar, imediatizar, subornar
o controlo do guarda em excesso
atirar-lhe armas de arremesso

cuidado, porque os tiros voltam
para trás
se conhecermos o conceito de ricochete

apague-se
a noção de conceito,
o conceito de noção
e estenda-se a mão
sem saber mais do que a força de ombro

...
tudo muito bonito.
nada de novo.
ora avançando,
...

em particular,
fugir às demoras
mas sem fuga
ou sem consciencialização de fuga
pelo menos.
há bastante para ser dito
mas quando não há
não haja
sem raiva,
e sem obsessão

mas há algo mais neste jogo
pressinto
..

sinto
..

chego a um ponto em que apagar é perder
é preciso inserir as coins
pinbolizar mais
mas caramba
há um medo forte
de que isto tudo pareça
um pinball

quando eu estou por cima,
afinal.

grunf
então devia estar a estar por cima
ou a treinar o equilíbrio
do lado de cima,
ou a furar os tectos
do lado de baixo
sem passar por carpinteiro
pois eu sou mais por cima
mas só quando lá estiver

até lá,
o comportamental por vezes
está longe, qual maçã no galho alto
e não estou a saltar
estou só a coisar, por vezes
e são coisas muito diferentes.
coisar é uma espécie de coito interrompido
no comportamental do eu,
neste caso.
saltar seria,
se eu fosse o salto,
e não me lembro
de costumar ser saltos

nem de usar saltos altos

mas alguém quer saber?
nem por isso.

então apenas,
não saibam
se não o querem
ou saibam, mas
saibam o errado
em saber.
ou não saibam.
hmm só que nem toda a gente
me é indiferente,
nessa óptica.
mas vá,
amanhã há pinball
com saúde,
de preferência

sem perder a razão do sem
mas sem ganhar também
where.txt
06-02-2005, 5.29 matina

where am i the fuck?
where the fun fuck is the
where where could be it,
thus waiting for never today
sometime tomorrow,
maybe.

travelling, dispatch
chá chá chá, mar
where the sea is
there are no roses
just sea
and sea, and sea,
you see?? just sea, see?
or can't you see?
i only see the lack
of light and shadow
and both, because
the world is made of pairs,
disturbingly dissident in the discipline of straightness
hatred, emotions, chaos, fire, bored out of hell
bored into the smell
of putrefaction of soul
of dispatching the hole,
the body as a whole,
the whole body of light.
no absence of presence,
just dissident feelings
of chaos, magma, fusion
of sad disorders.

shitty words, shitty non-words.

shitty worlds
ruína sem passado, um pouco só,
mas olha aí a desolação, pois não,
avariado rádio sem travão, um despiste
na fonética da céptica liberdade.
e mais um, e outro.

há o manter-se a meio gás, e há a fuga de gás
que escorre pelas janelas
para uma cidade sem plantas, oxigénio
que não sabe de onde aparecer
para se oxigenar
qual água sobre ferida,
palavras, hoje, cada vez menos semântica, sempre,
e sempre traços de fronteiras conhecidas.
olá senhor da alfândega, e vá-se foder, sim?
farto desse bigode postiço, dessas tranças
à lá aranhiço,
não o quero mais constatar, mas, mas

mas?
Nas malhas da rede.txt
30-1-2005, 5.05 matina

Vergar o limiar
da criatividade
criteriosa
recriação
do passo
passo para ali
pulo para
aqui
junto à distância
verdades
ou mentiras
muita farinha
em forma de palavras
forma para um bolo
que tem sabor a vazio
e que mordo
por favor
ao sistema
incolor da dor sem dor
por nada
na razão
sem razão
do nada
abstracto, abstracto, abstracto, abstracto, abstracto.
hoje caí no erro de pensar
que se abrisse esta janela do note pad
ia ter alguma coisa para
dizer
aonde
quem
como, porquê, essas merdas, ninguém quer saber disso pois,
é mais que sabido
né, é, refrasear
frases
fraseadas
pelo sistema
as redes e as
malhas
das redes
e parvoíce
quando tudo está certo
menos o estar errado
mesmo que esteja certo
à parte de estar errado
três pontinhos
inhos pequeninhos
a voz quando não existe põe-se a falar
sem falar
blé
nhé
sumo tropical num sem-fim de gelo sem fim
tropical no nome, mais que isso
é lá com as pessoas
que definem o significado dos trópicos e seus derivados
hoje é repetido e fraco-neutro
sem neutrão
no sentido do átomo-eu
e pouco o faz
mas quanto mais o faz
a serra de monsarraz?
o formulaico é hoje
para brincar com os dedos,
a sério
acreditarem ou foderem
se
desligo a
cena
nao desmotivo
já que nao motivo
motivo não houve
a sequência é nula
para lá do conceito
não é preciso dizer mais